Eros Porto: um portal para os vários portais de educação sexual adulta

Acabo de voltar do Porto, e trago comigo muitos detalhes que guardei do Salão Erótico.

Como estudante da sexualidade sinto muita falta destes eventos multi-disciplinares que reunem no mesmo espaço tantos temas e oportunidades de adquirir informação sobre, com pessoas qualificadas sobre .

Mais profundamente porque como humana é preenchedor desbloquear caminhos de auto-conhecimento. Sabe? quando no sentimos tão infinitxs como somxs .Falando sem tabus : enriquecidos para a sexualidade.

Ao mesmo tempo nestes momentos também me vem sempre um gostinho azedo, porque penso : “era assim que gostava de ter sentido no fim da aula de educação sexual do nono ano”, embora nessa altura as questões fossem outras .

Eu não estava interessada em encontrar o modelo de strap-on mais confortável. O que realmente me causava desassossego era “perceber como dar um linguado”, que agora pensando do meu sapato adulto posso traduzir assim: ” como estar a altura das expectativas sexuais que outros podiam ter sobre mim”. A sexualidade é mesmo assim básica e complexa ao mesmo tempo .

A importância do contexto na educação sexual

Voltando ao nono ano, honestamente também não era ao meu professor de “ciências da natureza” e ao lado de potenciais futuros beijos que ia expor esta pergunta.

Algo que vale a pena notar para a educação sexual é a importância do espaço e dos agentes para a no exercício de aprender.

É fácil notar se pensarmos no contexto virtual como provavelmente o mais utilizado, possibilitando o anonimato e conferindo maior conforto em expor as nossas inseguranças.

Eventos como os Salões Eróticos seguem de certo modo esta dinâmica de universo de interessados e interesses disponíveis para expor duvidas e partilhar informação, trazendo por sua vez outras possibilidades como a experiência , a observação, o toque numa socialização que se sente mais “real”.

É rica a oportunidade de experimentar um teaser pela primeira vez, aprender um movimento sensual no varão, maneiras criativas de utilizar sex-toys , aprender a manusear ferramentas de spanking, ou adquirir ferramentas para a desconstrução de algo tão usual como ciúmes. A criação de espaços para a exploração da sexualidade é no seu core a criação de mais oportunidade de libertação e desconstrução.

Agentes de educação sexual

Todxs somos agentes de educação sexual. Mas nem todxs somos os mais indicados para transmitir toda a informação no melhor momento e ás vezes o melhor que podemos fazer é indicar alguém .

Agentes de educação sexual não são apenas os professores de ciências, são também os nossos colegas, os nossos pais e irmãos mais velhos, e é aqui que reside a verdadeira importância da educação sexual para a sociedade especialmente enquanto adultos.

Como agentes de educação sexual devemos ser conscientes do impacto da nossa opinião e da nossa intervenção na curiosidade dos outrxs e isso é motivo suficiente para procurarmos informação especializada. A receita perfeita para nos tornar-mos intimamente mais independentes e evitarmos ser o adulto que transmite insegurança e nervoso no tema.

O salão erótico deste ano veio pôr este conceito de educação sexual para adultos no topo do imaginário social português e por isso é o momento perfeito para destacar a importância dos mais variados educadorxs da sexualidade que se tem esforçado para abrir a cortina da sexualidade em portugês sejam educadorxs sexuais , sexologxs , sex workers, artistxs, dançarinxs, valorizando os vários recantos da intimidade, da socialização, da auto-estima, do sexo, do prazer, da fantasia.

O que foi na verdade o XIV Salão Erótico do Porto

Para mim foi um desafio ao pensamento para a sexualidade. O reconhecimento público e várias vezes sublinhado do carácter educativo deste evento e de quem dele faz parte bem como da valorização do interesse adulto pela melhoria dos relacionamentos e bem-estar sexual foi inspirador e o desafio da educação sexual adulta no nosso país será agora criar mais oportunidades com continuidade, mais espaços seguros e que cheguem a mais comunidades e localidades.

Rebeca Verde, CRsex


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